Cinema

Eu vi: A Pele que Habito

Por onde começar essa resenha é uma pergunta que está ecoando na minha cabeça desde que terminei de ver o filme, na madrugada de sábado. Antes de mais nada, posso dizer que encontrei meu filme preferido. Almodóvar é conhecido por sua genialidade, mas posso dizer aqui que ele se superou.

Partindo de um só núcleo com muitos desdobramentos, A Pele que Habito conta a história de Roberto (brilhantemente interpretado por Antonio Banderas), um médico que após um acidente com sua esposa busca criar a pele perfeita. O espectador é imediatamente apresentado a Vera (vivida pela minha já adorada Elena Anaya), que, presa num quarto monitorado 24 horas por dia por Roberto e por Marilia (Marisa Paredes), dita toda a tensão desse suspense sem gritos ou ameaças.

Não há como definir a história do filme sem descambarmos para seu final. O último diálogo da obra, diga-se de passagem, é um dos mais marcantes. “Soy Vicente“, diz a personagem antes de abrir espaço para os créditos. E diante daquela sensação de reticência, nos percebemos capazes de compreender todo o desenrolar de tudo aquilo que o final omitiu. É absurda a genialidade de Almodóvar aqui.

Gostaria de pontuar algum ponto negativo da película, mas nada me vem a mente. Talvez pela paixão desgarrada que me consumiu durante a obra ou pela volatilidade das personagens. Aqui, não há vilões. Existem apenas pessoas alvo das escolhas do destino. Suicídio, drogas, sexo e imagens de cores quentes ditam o tom dessa obra que descamba para o psicologicamente escatológico sem jamais mostrar uma imagem forte, cabendo aqui um memorando: neste filme, tudo é mostrado, ao mesmo tempo em que tudo é escondido. É difícil compreender, eu sei.

A trilha sonora é uma obra de arte por si só. Alberto Iglesias fez um trabalho magnífico, e Los Vestidos Desgarrados, uma das canções do filme, ecoa na cabeça do espectador até depois do fim do filme. As cenas desenvolvem-se sobre canções completas, e não sobre trechos recortados. Até mesmo as partes cantadas por Buika (que você precisa conferir clicando aqui) duram sequências inteiras, que passam por tentativas de abuso sexual até mesmo danças sociáveis num casamento que é o mote de toda a história do filme.

O filme é impecável em todos os sentidos. Roteiro, adaptação da obra literária, fotografia… nada escapa aos olhos de Almodóvar. Senti-me retratado na tela em todos os instantes. É de visualização obrigatória!

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5 comentários sobre “Eu vi: A Pele que Habito

  1. Pingback: Eu vi: Meia Noite em Paris « Blog do Doug

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