Textos

Testamento para os que não ficam

Morro agora sem saber se vivi. Morro sem saber se, de tão jovem, ainda não passei por todas as dores ou, se de tão velho, perdi a inocência intrínseca do bom viver. Deixo uma herança, entretanto.
Aos amigos que tanto amei, deixo infinitos pedaços de mim. Aos amantes, deixo minha história. Aos que me rodeiam, pereço num último abraço.
Minha herança é fraca, passível, mas foi com ela que vivi. Essa vida tão passageira agora não me dói graças aos inúmeros arrependimentos, aos infinitos erros, aos inolvidáveis acertos e, por fim, aos inúmeros amores que me fizeram estar aqui.
Morro em paz porque sei que amei. Atormenta-me, entretanto, o arrependimento de não ter amado o bastante.
Que voltemos ao pó, pois infinitos seremos nós aos pés das inalcançáveis estrelas.

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