Textos

Pessoas em rede

Eu ando meio cansado das pessoas. Eu geralmente tento ver o melhor em cada um desses olhares passíveis que passam por mim, marcantes. Mas a partir de agora, eu não sei mais o que ver.

Histórias profundas? Alegrias desmedidas? Mentiras bem contadas? Eu estou meio enjoado de tudo isso, e, enjoado que estou, agora escrevo até sem poesia.

O mundo está tomado por esses pseudointelectuais que sofrem – um sofrimento esteticamente genuíno, diga-se de passagem – com propriedade atrás de seus óculos largos enquanto o cabelo bagunçado lhes cobre a cara. Ou então, andam em bandos, aquele conjugado de pequenos humanos; tão diminutos em cabeça que esquecem o que carregamos no peito.

Escrevo por simples decepção. Pessoas me cansam. Pessoas são aparentemente cansativas. Todos cultivam um olhar blasé enquanto, maduras que são, vivem a vida em Instagram.

Ninguém mais bebe água na mangueira, cai tombos na rua, fica tardes na rede, faz festas em família, dá risada porque se sujou e tem diarreias com propriedade. Sim, pessoas passaram a ter medo de dizer que vão ao banheiro. (Somos todos humanos fisiologicamente evoluídos, fazemos fotossíntese nessa nova onda hippie com mágicos filtros fotográficos que transformam tudo, menos pessoas vazias).

E assim eu me reduzo nesses poucos goles de cerveja amarga e observo sem atenção enquanto espero, lá no fundo, que surja alguém que mude meu mundo.

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